sexta-feira, 27 de novembro de 2020

MEDALHA MILAGROSA: 190 ANOS DE GRAÇAS

O ano era 1830 e forte peste varria a França. Na Rue Du Bac, em Paris, a Santíssima Virgem aparece novamente para uma jovem chamada Catarina Labouré  e manda que se faça uma medalha que logo ficou conhecida como milagrosa. 

Hoje, faz exatos 190 anos desse acontecimento; por todo mundo a medalha milagrosa espalhou-se como sacramental. A pequena Catarina, depois freira e hoje canonizada, tem seu corpo incorruptível em uma urna de vidro na Rue Du Bac, mesmo local da aparição, repousando sob o Altar de Nossa Senhora das Graças, a Imaculada, concebida sem pecado.

Nestes tempos de pandemia em que o Covid-19 se apresente uma verdadeira e implacável peste, que a Santíssima Virgem nos conceda todas as graças necessárias para enfrentar e vencer essa moléstia. 

Santo Agostinho dizia que quem canta reza duas vezes. O hino que segue foi composto a partir de  uma fotografia do Imaculado Coração de Maria,  da qual surgiu toda a inspiração de que precisei e que neste dia, com alegria, aqui partilho em homenagem a Virgem Maria, Senhoras das Graças. 

 

 HINO A NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS


Oh Maria concebida sem pecado 

Mãe bondosa escutai nossa voz

Coração Santo e Imaculado

Virgem das Graças rogai por nós.


1. Glória a Deus Pai, perfeito e eterno

A Jesus honra e louvores mil

E ao Espirito Santo Paráclito

Que preenche o coração vazio


2. Gloriosa sois Virgem Senhora

Triunfante esmagai todo mal

Com a Verdade e a Fé que vigora

Conduzi-nos a pátria celestial


3. A quem luta e ao aflito que chora

Socorrei vosso amor maternal

Vosso olhar volvei a quem implora

 Eis a prece de um clamor filial


4. Vosso nome sagrado crepita

Plena graça e sublime esplendor

Que nas almas confiança suscita

A humildade que é do céu penhor


5. É feliz quem em Deus acredita

És bendita porque acreditou 

Oh que nos corações se repita 

O prodígio que teu ventre gerou.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

JUBILEU DE CRISTAL DA APLAC

 


 A imortalidade, muito mais que uma questão biológica é: uma escolha, um desejo, um propósito e uma utopia que se faz palpável na efemeridade de cada hora, a partir da vontade de saborear – na fugacidade – os instantes de eternidade que a possibilidade de viver proporciona.

 A imortalidade é assim uma construção – constante – que se plenifica na (in)certeza do que somos, para onde vamos e o que queremos. É que identificadas estas três condições como pilastras dessa construção, quem se predispõe a palmilhar a senda da imortalidade, ainda tombe desfalecido, continuará imortal na quilo que foi, ou ainda é; por onde foi, ou até onde chegou;  naquilo que quis, ou no que conseguiu; pois na ceia do infinito a comunhão é de fraternidade: tudo se perpetua no plano das ideias, onde a alternância de sujeitos, qual carvão no fogareiro, vai dando consistência e fulgor aos ideais feitos labaredas, tanto mais vivas quanto luminosas.
 
Ao transpor no tempo, a soleira dos primeiros 15 anos de existência, a Academia Pinheirense de Letras Artes e Ciências, registra além do dado cronológico, uma consciência elevada em razão das aspirações que nutre. Quiçá o porvir, na senda da imortalidade, conserve a formosura e beleza da viçosidade próprias do espírito juvenil inerente a idade de quinze anos, e também extensiva a todas as idades que a queiram e conservem.
 
Com efeito, para além do fato das academias serem – e devem sê-lo – templos da excelência e do requinte, onde as tradições devem ser cultivadas e prevalecerem, engana-se quem pensa que para tal mister, a solidez da antiguidade tenha, por prerrogativa, a imutabilidade de ritos, consciências, pensamentos e liturgias. Que ninguém se olvide, o que parece imutabilidade, em verdade é uma questão essência, que não é – e nem pode ser – algo frívolo que se esvai ao sabor do vento; mas, ao contrário, galgando-o se espalha e difunde sem jamais perder a consistência.
 
Nos átrios acadêmicos, qualquer ideia de imutabilidade cede lugar ao sacerdotal propósito de preservação, cultivo e fomento da essência do espírito acadêmico que empreendeu a ousadia dos primeiros passos. Ora, “a essência é o que faz magnas as coisas” e em função disto, os ritos, as liturgias e tudo o mais convergem e desenvolvem-se de forma pragmática e alternativa, comportando inclusive mudanças, desde que a essência seja preservada.
 
Sobre a antiguidade – relicário onde a sabedoria resplandece e se faz substrato das tradições – constitui-se o voto primeiro e mais importante de quem abraça o ideal acadêmico, porém por si só, ela surge e torna-se mera consequência do passar do tempo se não se significar, pois a significância é o que dá sentido as coisas e ao viver, cingindo-os com o diadema da simplicidade: o que de mais sublime há no extraordinário.
 
Sim! O extraordinário que habita a singeleza do desabrochar da flor, do voo do pássaro, do pingo da chuva, da velocidade da luz, da semente que germina, da vida que nasce, entre outras coisas que se congregam em sutilezas indecifráveis; ou, por vezes, irreproduzíveis... Esse mesmo extraordinário habita o íntimo de quem se faz cativo dessa busca pela essência e com denodo, nas assas da esperança, vai até a divisa de antônimos, para concebê-la, gerando em si a própria primavera, florescendo em olentes fragrâncias que perfumam iluminando e iluminam perfumando.
 
O perfume tem de intangível o que o infinito tem sublime – não tem começo nem fim – e essa sutileza tão própria da leveza, tanto mais leve tanto melhor, porque quanto mais leve, mais essencial... É o substrato à percepção apurada na contemplação da imortalidade, diluída no tempo e no espaço feito um dilúvio que, entre a terra e o céu, tudo transborda e dilui. Vive-se, sobre o flagelo do Covid-19 e de tantas outras realidades que desafiam a sobrevivência humana... Um ano de lágrimas! Um tempo de dilúvio em cujas águas diluem-se o viver; o morrer; o ser; o ter; o querer; o fazer; o poder e as esperanças de tudo quanto não seja ESSENCIAL.
 
Nesta atmosfera de singular significância, em que a efemeridade do transpor do tempo se oferta no Cristal de um Jubileu… Que os dilúvios sejam de luminosidade, os séculos de sabedoria, os dias de imortalidade, as horas de alegria e os instantes da mais singela e autêntica felicidade – jocosa por natureza, sublime por essência e extraordinária por leveza – projetando nas marcas dos passos futuros a venturosa marca de quem acendeu-se e iluminou, a si e ao seu redor, combatendo as sombras que escurecem a essência do clarão, da lucerna que cintila o olhar do mais frágil e singelo ser humano.

Ave academia! Seja-se a luz, faça-se a luz, propague-se a luz em ousada e imortal claridade.

domingo, 22 de novembro de 2020

CECÍLIA MARQUES DO MEU CORAÇÃO

O dia era 22 de novembro, o ano 1906, a cidade de Missão Velha-CE, na casa de Manoel Privado Marques e dona Maria Alexandrina Marques, nasce a pequena Cecília, a neta de dona Genoveva.

Com a seca de 1915, todo o Ceará sofreu bastante. A família Marques teve perdas irreparáveis: a fome e a seca resultaram no óbito de uma das irmãs de Cecília. Desolado, seu Manoel juntou a numerosa família juntamente com os demais conhecidos e vizinhos e se pois em macha até o Maranhão, foram mais de trinta dias caminhando a pé, em caravana, até a cidade de Pedreiras-MA.  

De Pedreiras, a família mudou-se novamente e fixou residência em Pinheiro-MA, onde Cecília conheceu Alípio (um pinheirense filho de cearenses) e constitui família. Dessa união surgiu a Família Marques Souza, da qual descende minha avó paterna.

Minha Cecília conheceu padre Cícero Romão Batista, conheceu Lampião e Maria Bonita. Viu o cangaço de perto, viu a fome, a seca e o desespero. Faleceu em São Luís do Maranhão, no ano de 2006, lúcida e com uma memória invejável: datas, números, acontecimentos, tudo sua memória guardava com facilidade, além da eximia habilidade de decorar textos, ladainhas, rezas, benditos etc.

De tudo quanto foi, para mim é mais profundo aquilo que ainda é e sempre será: "minha bisavó, minha Vovó Cecília"; dado afetivo e consanguíneo que jamais se acabará. Ao redigir estas linhas, a memória, como brisa que é, sopra por assim dizer um furacão com uivos de saudade e nas lembranças que arrasta me traz a visão da parede de seu quarto, lá em Pinheiro, onde por cima da mesa onde colocava remédios e alguns caixas com com anotações e pequenos pertences, se via em um quadro com motivos florais: "que aquilo que nos separe não destrua o que nos une".

Não separa e nunca separara. Para sempre Cecília, uma lembrança, uma memória, um amor e uma grande emoção, radiante como o sol de verão. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O JARDINEIRO DA FELICIDADE

 Um jardineiro aniversariava e a Primavera resolveu visitá-lo. Logo na chegada o cumprimentou com os mais belos aromas e cores da sua pujante beleza, felicitando-o pela efemeridade da data. Surpreso, indagou o jardineiro: É verdade que sois a porta-voz da felicidade? A felicidade não usa palavras, nem precisa de porta-voz, respondeu a Primavera, cheia de graciosidade, sorrindo silenciosamente, de forma tão intensa e imensa que se fazia insondável. 


O jardineiro ligeiro e contundente perguntou: Então a conheceis? Apresente-me essa distinta dama, vos peço. Mas a resposta foi novamente um sorriso de ternura, com o qual foi indo embora, deixando ao jardineiro uma muda de violeta. 


Percebendo a despedida, o jardineiro apressou-se em correr para acompanhá-la. Esforço inútil, pois sem a leveza do suspenso não poderia sequer voar com as borboletas, quanto o mais acompanhar a primavera que, em sua fagueira brisa, gentilmente, voltou-se; e, num aceno de despedida exclamou uma única palavra, em forma de desejo, no plural: felicidades.


Intrigado, o jardineiro ficou a pensar o porquê daquilo, tentou interpretar aquele acontecimento e, sem respostas, voltou-se ao seu jardim - foi cultivar a violeta - absorto no silêncio de suas inquietudes, feitas labaredas que consumiam seu íntimo e pediam o refrigerio de respostas. 


Passados vários dias a violeta em fim amanheceu florida e no fim do mesmo dia já estava murchando, deixando no ar o perfume agradabilíssimo de sua essência, um perfume tão suave que relembrava a beleza da flor e superava a tristeza das pétalas murchas. 


Detendo-se o jardineiro na contemplação de todas aquelas sensações, as quais saboreava com ávida fome de infinito... De repente, a Primavera achegou-se novamente sorrateira e suavemente sussurrou: “são as brevidades, nelas habita a felicidade; e na delicadeza de quem cultiva violetas, fazem pousada”.